quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

"Amor – pois que é palavra essencial
comece esta canção e toda a envolva.
Amor guie o meu verso, e enquanto o guia,
reúna alma e desejo, membro e vulva.

Quem ousará dizer que ele é só alma?
Quem não sente no corpo a alma expandir-se
até desabrochar em puro gritode orgasmo, num instante de infinito?

O corpo noutro corpo entrelaçado,
fundido, dissolvido, volta à origem
dos seres, que Platão viu completados:
é um, perfeito em dois; são dois em um.

Integração na cama ou já no cosmo?
Onde termina o quarto e chega aos astros?
Que força em nossos flancos nos transporta
a essa extrema região, etérea, eterna?

Ao delicioso toque do clitóris,
já tudo se transforma, num relâmpago.
Em pequenino ponto desse corpo,
a fonte, o fogo, o mel se concentraram.

Vai a penetração rompendo nuven
se devassando sóis tão fulgurantes
que nunca a vista humana os suportara,
mas, varado de luz, o coito segue.

E prossegue e se espraia de tal sorte
que, além de nós, além da prórpia vida,
como ativa abstração que se faz carne,
a idéia de gozar está gozando.

E num sofrer de gozo entre palavras,
menos que isto, sons, ar, quejos, ais,
um só espasmo em nós atinge o climax:
é quando o amor morre de amor, divino.

Quantas vezes morremos um no outro,
no úmido subterrâneo da vagina,
nessa morte mais suave do que o sono:
a pausa dos sentidos, satisfeita.

Então a paz se instaura. A paz dos deuses,
estendidos na cama, qual estátuas
vestidas de suor, agradecendo
o que a um deus acrescenta o amor terrestre."

Drummond me cerca e aprofunda os meus desejos numa fase meio ninfomaníaca...

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

2011

"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano.
Foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança, fazendo-a
funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação
e
tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para diante, tudo vai ser diferente."
(Carlos Drummond de Andrade)
-
Se 2010 terminou de uma forma genial, com trancos e barrancos cada vez mais vultosos e com conteúdo que aprendo, desconheço, arremesso...não me atrevo, conheço, satisfaço, me satisfaz, amo, ironizo, desabo, encontro, junto...

Posso dizer que esse ano se inicia com uma ressaca na vida. Clichê à parte, a hora é de tomar um rumo e mudar a cara de algo que não mais me atém.
A liberdade de um pássaro chega a ser cada vez mais apreciada e ostentada. As garras devem aparecer. Quem sabe as de uma águia? Nessa realidade, o que posso dizer é que vem um gavião e, desta vez, não o da FIEL...como chamá-lo?

Vontades e desejos não são concretos até que algo, que alguém e que um conjunto de pessoas se movam, façam acontecer. Esperar não é mais uma desculpa. Essa, por sua vez desgastada, chega a soar como um desleixo, mais uma bela e singela hipocrisia aterrorizante...com o próprio eu e, no conjunto, com a nação. No escuro pode ver claramente que, no escuro, não viverão.
Ariane Cordeiro.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Suas Mãos
Aquele doce que ela faz
quem mais saberia fazê-lo?
Tentam. Insistem, caprichando.
Mandam vir o leite mais nobre.
Ovos de qualidade são os mesmos,
manteiga, a mesma,
iguais açúcar e canela.
É tudo igual. As mãos (as mães?)
são diferentes.

Carlos Drummond de Andrade
Let's play that
(Torquato Neto)
quando eu nasci um anjo louco
muito louco veio ler a minha mão
não era um anjo barroco
era um anjo muito louco, torto
com asas de avião
eis que esse anjo me disse
apertando a minha mão
com um sorriso entre dentes
vai bicho desafinar
o coro dos contentes
vai bicho desafinar
o coro dos contentes
let's play that
Até o fim

(Chico Buarque de Holanda)
Quando nasci veio um anjo safado

O chato dum querubim
E decretou que eu tava predestinado
A ser errado assim
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até o fim
(...)


sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Delícias em São Paulo

A rede de descontos SaveMe me proporcionou uma viagem ao mundo da culinária. Com apenas um click, você pode degustar esse maravilhoso site: http://www.opotedorei.com/ . O melhor, a sugestão do dia custa RS27,00. Em certos dias do mês eu posso achar até caro, principalmente no final dele, mas, se olharmos a qualidade do lugar, o chefe, as opções do cardápio e a qualidade dos ingredientes, vale mais do que a pena!

Outro restaurante que queria comentar, que já fui há uns dois anos, e me deu água da boca foi o Pasquale. Com esses pratos fica difícil não salivar:

Baião de dois de frutos do mar (receita do chef César Santos da Oficina do Sabor/Olinda) com arroz, feijão fradinho, leite de coco, manga, polvo, lula, camarão e um toque de curry;


Pérola Negra (clássico da casa por R$ 32): penne levemente apimentado com tomate, mozzarella de búfala, alho, azeitonas, panceta, manjericão e pecorino;


Spezzatino (R$ 25). Um rigatoni com espesso e perfumado molho de tomate e cubões de carne cozida que se desmancham.


Restaurante Pasquale (foto)

R. Amália de Noronha, 167 - Pinheiros